quarta-feira, 27 de abril de 2011

Tons verbais olhares

Queromptcantas em uníssono, para enfeitar. Num só acorde, Queromptcantas, um coral de silêncio, em tons verbais olhares. Medo de Queromptcantas? Não, atirado ao mar, em barcos, caravelas, canoas, botes, bóias, sereias, veleiros, dragões cooperados em harmônica. Queromptcantas nasceu em cores, nasceu em fortes, nasceu para recheio dos fracos. Queromptcantas se dizia nação, enganado pelos canhões, nem deu ouvidos às guerras, queria a mudez pacífica de um amanhecer. Queromptcantas não oferecia morada ou prato feito, não vestia crepe nem calçava alto, não dominava informática nem investigava os números premiados da lotérica. Num só aviso, o grupo Queromptcantas iniciou aquela apresentação. O teatro estava lotado.


Plácido, o filosofinho








Papel A4 branco, caneta hidrocor preta (1998) 

Yob e o pote de ouro



Saímos à procura do formigueiro: eu, o ajudante de Ésquilo Esquilo Amarelo, o coronel da tropa do Elefante Sábio Pesadão e o próprio Rei Cotia. O céu escuro, mas uma nesguinha clara atravessava ali, meio dor, meio tempo. Vimos todas as formigas, todas, que estavam em marcha, sem esbarrão. Foi aí que Pedrês, aquele do jardim da vendedora de frutas, perguntou: - Por que são tão apressadas? Foi aí que eu respondi: - Não sei. Foi aí que Pesadão respondeu: - Porque querem guardar. Foi aí que acabei pensando e pensei bem no meu lugar, diferente dos amigos que estiveram na floresta. Eu nem imaginava que Zordeguino fosse tão valente e que o nome fosse Zordeguino. Fiquei assustada com Grália de Peito Aberto, a garça que estava observando a nossa busca, na ponta de um galho seco. - O que fazem aqui, uma propriedade privada?, perguntou por três vezes seguidas, som meio blues. Foi aí que nem pensei nas formigas, pensei na chuva que vinha, bem mansinha. O pote de ouro, nesta expedição, foi encontrado por um bicho que não nos visitava há um bom tempo, Yob. A chefe da ala carnavalesca das formigas o conhece. E foi aí que comemos todo o ouro, todo o pote, para ninguém saber do que estávamos planejando em fazer com a cidade que encontramos, depois do barranco. Todas as abelhas estavam por lá, em posição.


Texto publicado no meu blog anterior (2008)

Spring in Lhasa (Era & Oliver Shanti)

                                                http://www.4shared.com/audio/2GZOutj0/era__oliver_shanti_-_spring_in.htm

Linda música. Cada pessoa guarda sua emoção. Ouvi falar de caminhada, nascimento, redenção... Uma coisa é certa: todas as vezes que escuto, percebo algum detalhe diferente. 

terça-feira, 19 de abril de 2011

Espelho de prata


Interlagos, Vila Velha-ES (junho, 2010)

Numa tarde de iluminuras
O espelho estava lá: plano
O céu sorriu para ele.
                                                                                                                             

domingo, 17 de abril de 2011

terça-feira, 12 de abril de 2011

sexta-feira, 8 de abril de 2011

segunda-feira, 4 de abril de 2011

domingo, 3 de abril de 2011

A problemática do sushi

O sol se põe tão rápido, disse ele. Eu, rindo. Palavras que se entopem de coisas, de olhares, de sentimentos, de exacerbação de personagens. O tempo é para brincar. Palavras de telenovela, ficção ou ritmo desenfreado pela vantagem de não ser eu, de não ser você. Mas também palavras nos jornais, palavras de sangue, crianças mortas, salários mal contados, histórias tontas e brasilianescas. Olha, estou aqui pensando nas palavras, em como me oriento por elas, em como me perco por elas, em como peço uma pizza. Kio, um cidadão com os olhos da sua taiwan adormecida. Dentro dele, uma nação inteira. Que palavras eu diria àquele olhar quase chinês, que palavras eu diria ao feixe de símbolos, que palavras eu silenciaria ao que se traduz em tantas palavras bem organizadas. Kio era lindo dizendo obrigado. O erre não é mesmo como o nosso. E o meu riso, nessa hora, descarado, embora eu soubesse que não diria nem de longe o nome dele corretamente. Ká o quê? Kio é um apelido simples, mas de um nomão que não cabe aqui agora. Kio, cadê você com o seu obrigado, cadê você com o seu entendimento pela raiz das palavras, cadê você com as árvores de sílabas tão complexas quanto o fato de eu entender seu extenso e verdadeiro nome. Cadê tu, hombre chinês? Cadê aquele espectro inofensivo. Cadê. Palavras também explodem em ritmos e era lindo ver Kio dizendo sim. Era um sim sem o eme no final, embora a gente percebesse o eme. Kio não gostava das minhas crônicas. Dizia que eram cheias de palavras com combinações para ele inaceitáveis. Eu não sabia se gostava do que ele dizia, do que ele não dizia, do que ele pensava ou se eu apenas o registrava na memória. Num belo dia em que o belo e enigmático Kio foi embora para um lugar que ninguém vivo vai, minhas belas palavras para ele ficaram armazenadas. Em outro belo dia, talvez, escreverei para ele. Belas palavras, não sei. Palavras de discos, vertigens, trabalho. Palavras também de conflitos, tanques de lavar roupa com homens dentro, homens brincando de atirar. Kio, por que essa paixão pela guerra, por que esse concerto sem nota, por que você se mumificou tão cedo? Palavras, meu caro samurai, palavras. São elas que lhe trazem de volta, são elas que me fazem perceber a problemática do sushi, são elas que me forçam a meditar sem medo, são elas que me emprestam algum sentido para lembrar que você detestava dançar. Non sê, dizia você. Non queo. Non vezo gaça. Agora, vamos a um aviso bem regimental: aquele seu pastelzinho de atum marcou para sempre as minhas palavras. Descanse em paz, amigo. Na paz que você nem sabia que admirava tanto. 




Texto publicado no jornal A União (PB), 2006 

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Decoração


Icó (CE), 2009

Casa grande, casarão velho
Na sombra, fibra elétrica
Na sala, tapete bordado.